Teatro da Caravana Siga Bem inspira tese de educadora

0
2180

Educadora apresenta sinopse da peça e revela números do balanço da temporada 2014

Camila D’Ávila fez sua tese de conclusão de curso baseada na peça de teatro da Caravana Siga Bem (Foto: divulgação)
Camila D’Ávila fez sua tese de conclusão de curso baseada na peça de teatro da Caravana Siga Bem (Foto: divulgação)

A Caravana Siga Bem marca a vida de pessoas por todo o país. Exemplo disso é a educadora Camila Aparecida dos Santos D’Ávila, que fez sua tese de conclusão de curso baseada na peça de teatro da Caravana Siga Bem, história encenada por caminhoneiros nos eventos do comboio.

Como tudo começou

O ano era 2014 e a Caravana Siga Bem percorria o país com o espetáculo “A Linda Rosa”, que abordava o tema da violência contra crianças e adolescentes. O autor da peça, Josemir Medeiros, professor de História da Arte na unidade Três Rios (RJ) da Faculdade de Educação Tecnológica do Estado do Rio de Janeiro (Faeterj) levou a turma do curso de Pedagogia para participar da festa em Além Paraíba (MG). Ao ver os caminhoneiros em cena, os estudantes ficaram impressionados com o trabalho desenvolvido.

“Apesar da peça possuir um lado humorístico e leve para falar da violência e exploração sexual de crianças e adolescentes, ela gera um misto de muitas emoções, lágrimas e alegria. A história traz um olhar mais crítico sobre a sociedade para um público específico que são os caminhoneiros, que muitas pessoas guardam um certo preconceito”, afirma Camila.

Bolsa de feltro e livro de EVA confeccionador por Camila (Foto: divulgação)
Bolsa de feltro e livro de EVA confeccionados por Camila (Foto: divulgação)

Precisamos falar sobre violência

“Eu tinha a intenção de falar sobre violência contra a criança, mas estava meio perdida sobre o caminho que seguiria. Eu pensei em discutir um pouco a área psicológica, mas foi aí que eu conheci o trabalho da Caravana Siga Bem, que me despertou o interesse pela área do teatro. No próprio evento eu havia decidido o rumo que eu gostaria de tomar no meu trabalho”, declara D’Avila.

A partir daí, a então estudante partiu para a pesquisa bibliográfica, que embasou o tema “Violência contra criança e adolescente: o papel do teatro e sua contribuição na educação”. Camila acrescentou dados da violência contra crianças e adolescentes no Brasil e em sua cidade, Três Rios (RJ).

No capítulo referente ao espetáculo da Caravana, Camila D’Ávila apresenta uma sinopse da peça, os números que revelam o balanço da temporada 2014 e traz depoimentos de caravaneiros que atuaram na “A Linda Rosa”, tudo com o objetivo de contextualizar o espetáculo e a própria Caravana Siga Bem para os leitores da monografia que, por ventura, não conheçam o projeto.

Teatro pode ser uma solução

Durante seu período como estagiária, Camila deparou-se com campanhas ligadas ao tema nas escolas. Na maioria da vezes divulgadas em panfletos, as ações acabavam na própria instituição com a entrega do conteúdo aos alunos. Por isso, em sua tese D’Ávila defende o uso do teatro como forma de divulgação e conscientização.

“O teatro entraria para poder conscientizar as famílias com uma linguagem mais fácil e lúdica dentro das escolas. Nós contaríamos com o auxílio do Conselho Tutelar e os próprios alunos trabalhariam como os atores da peça. O evento seria aberto para conscientizar e discutir sobre esse assunto, que é muito pouco falado tanto dentro como fora da escola” afirma.

Para Josemir Medeiros, o trabalho de pesquisa é muito importante não só por trazer a discussão do enfrentamento da violência para o mundo acadêmico como também para propor uma nova abordagem (Foto: divulgação)
Para Josemir Medeiros, o trabalho de pesquisa é muito importante para propor uma nova abordagem (Foto: divulgação)

Autor e orientador

Para o autor da peça e professor orientador de Camila, Josemir Medeiros, o trabalho de pesquisa é muito importante não só por trazer a discussão do enfrentamento da violência para o mundo acadêmico como também para propor uma nova abordagem.

“Foi muito gratificante perceber que o recado da Linda Rosa despertou a curiosidade acadêmica da Camila. Isso mostra que o teatro da Caravana vai muito além do seu público alvo que são os caminhoneiros, suas famílias e as comunidades estradeiras. Quando enfrentamos o desafio de tratar do tema da violência e exploração sexual de crianças e adolescentes, ampliamos o alcance do nosso projeto e eu fico muito feliz por poder levar essa discussão para o universo da educação”, declara Medeiros.

Levando adiante

Camila não parou na tese de conclusão do curso. A educadora pretende continuar levando o tema para a sala de aula. “Eu debato muito com os alunos sobre o assunto e falei da minha intenção de levá-los ao lugar mais próximo para conhecerem o trabalho da Caravana Siga Bem. Eles são jovens e precisam estar atentos e conversando sobre o assunto”, afirma.

Trabalhando com alunos entre 14 e 24 anos, Camila vê na futura geração a esperança de um país melhor e com mais oportunidades. “O jovem é uma parcela muito mal vista pela sociedade e quando você decide trabalhar com eles, a imagem das pessoas é que o jovem é preguiçoso, tem dificuldade de entrar no mercado de trabalho e só quer curtir a vida. No entanto, a gente se depara com outra realidade: são jovens em busca dos seus sonhos e querem ampliar o seu conhecimento crítico e participativo dentro da sociedade”, declara emocionada.

DEIXE UM COMENTÁRIO